sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Capitulo 17

OH.MEU.DEUS. O tanto de comida que tinha naquele banquete, dava para alimentar uma população inteira da algum lugar remoto na África.


Cada vez mais eu me sentia em um seriado americano. Luxo para todos os lados. Como se o mundo real fosse a ilusão.

Senti a mão do Brian em minhas costas, empurrando levemente, para que eu seguisse em frente. Acho que ele percebeu a minha hesitação. E realmente, aquele jantar não era o meu lugar. Pessoas esnobes, erguendo taças de vinho e champanhe, com seus sorrisos perfeitos, rindo de coisas sem sentido. Mas seria tão injusto com o Brian. Desde que nos conhecemos, isso horas, ele foi tão simpático.

- Eles não mordem no final das contas. – ele sussurrou ao meu ouvi. Ri com sua colocação, era perfeita aos meus pensamentos. Mas não foi ela que me fez dar mais um passo, mas segui pela pessoa que a pronunciava.

Todos já tinham ocupado seus lugares. A mesa gigantesca e farta, ainda tinha espaço suficiente para mais pessoas. Brian, ao invés de se sentar na cabeceira da mesa como anfitrião e dono da casa, procurou um espaço onde eu pudesse ficar ao seu lado. Como um cavaleiro, puxou a cadeira para eu sentar. Um príncipe em minha vida.

- Ain, Brian. – estremeci ao ouvir a voz aguda da Rebecca. – O lugar do anfitrião é na cabeceira – ela apontou para o lugar vazio – não acredito que vai quebrar essa etiqueta. O que sua avó pensaria sobre o que andam ensinando em Gutenberg? – ela tomou um gole do seu champanhe. Vaca.

- Ah! Brian – Falcon levantou – não esquenta com isso, não me incomodo em ocupar o seu lugar. – com seu sorriso besta de “eu sou o máximo”, sentou em uma das pontas da mesa. Jogou um beijei para a Izzie que fez cara de nojo e colocou uma garfada de comida na boca.

No final das contas, cada um ficou no seu lugar. Menos o Falcon que parecia ter formiga na calça, não parava quieto um minuto.

Brian insistiu para me servir, mas eu também insisti para que não o fizesse. Venci. Izzie que estava na minha frente e cada segundo entendia mais porque ela era a melhor amiga do Brian.

- Então Mel – ela estava já no segundo prato, agora ao invés da salada, comia uma macarronada. Sua habilidade com o garfo e a colher era invejável, mas percebi que todos ali também comiam assim. Eu preferi pegar um pedaço de lasanha, menos arriscado quebrar etiquetas. – Vamos acampar em New Haven depois do Ano Novo, quer ir? – Izzie só podia ser amiga do Brian mesmo, os dois tinham a mesma carinha de “não me abandone”.

- Hãm... – olhei para o Brian e ele apenas sorriu – Claro. – coloquei um pedaço de lasanha na boca e vi que a Rebecca encarava a Izzie como se não tivesse gostado do convite feito a mim. Terminei de mastigar. – Mas... Não quero atrapalhar.

- Mel, por favor! – Brian me repreendeu. – Izzie está te convidando, caso fosse atrapalhar, ela não o faria. Relaxa. – ele acariciou a minha mão direita que estava apóia da mesa.

- Provavelmente estará frio. Bem frio na realidade – Izzie começou a explicar – Lá é uma região montanhosa e por estarmos no inverno é provável que neve - eu fiz uma cara de espanto. Afinal, nunca vi neve e não queria que a primeira vez fosse traumática – Você tem roupas quentes né?

Pensei nas minhas caixas e em que parte do atlântico elas deveriam estar agora. Eu tinha algumas roupas quentes no meu novo closet, mas as novas e que realmente esquentavam ainda não estavam lá.

- Não se preocupe – Izzie se adiantou, devido o meu silencio. – o Brian pode te levar lá em casa e você escolhe algumas. – ela definitivamente era uma fofa.

- Ai Izzie, obrigada. Minhas roupas estão em um navio nesse exato momento, vão chegar só depois... - eu estava meio constrangida com a situação.

- Típico! – a besta da Rebecca cuspiu alguma coisa do tipo, o que levou a sua amiguinha Kalie a dar risinho irritante.

Brian e Izzie fecharam a cara para as duas. Os gêmeos pareciam estar em alfa. Phillip estava conversando com o Falcon, então, nem reparou em nada.

- Então, Melary – Izzie pronunciou o meu nome bem devagar, para que as duas bestas da mesa percebessem que elas nada tinham haver com a conversa. – Já disse não se preocupe. Se suas roupas chegaram, tudo bem, e se não chegarem, tudo bem também. – ela abriu um sorriso cordial – E mesmo que chegarem, sinta-se a vontade de ir la em casa de qualquer jeito!

O resto do jantar foi bem tranqüilo. A sobremesa estava fabulosa como todo o resto. Izzie e Brian conversaram comigo o tempo todo, me deixando bem a vontade. Falaram um pouco da cidade, que eu só vi através de vultos (por causa do “racha” entre o Brian e o Phillip). Os gêmeos chegaram a comentar alguma coisa. Falcon sempre que podia interferia. O resto, pareciam ter se recolhido a sua insignificância (defini-se resto por: Kalie, Rebecca, Phillip e Alex – que por sinal, não abriu a boca para nada).

Voltamos para sala que estávamos antes. Izzie correu para por um CD. Colocou algo que lembrava os Beatles. Kalie e Alex tiveram que ir embora, segundo Kalie – já que Alex definitivamente não abriu a boca para nada – disse tinham que ir cedo para casa, pois tinham uma viagem marcada para Europa. Acho que Paris. Iam passar a virada lá. Rebecca ressaltou desnecessariamente, o quão era importante e amiga estar de volta para o acampamento. Procurei ignorar.

Os gêmeos subiram para o quarto do Brian. Ele me disse que os dois são loucos por internet. Ela não precisou me explicar mais nada.

Agora ali estávamos nós. Brian e Izzie, eu no meio, em um sofá. Em uma poltrona Rebecca e Phillip, ela sentada no braço da cadeira. Falcon estava ao telefone no bar, por incrível que pareça, ele estava sendo super discreto.

- Melary – odiava como Rebecca pronunciava o meu nome – fale mais sobre a sua família. – ela fez um gesto com a mão como se estivesse me dando espaço para me abrir. Nunca me abriria com uma cobra como ela.

Phillip se ajeitou na poltrona, parecia meio desconfortável. Mas o que me fez seguir em frente, foram os olhares de curiosidade dos meus novos amigos.

- Bem, ela é normal. Nada demais. – dei de ombros.

- Ah! Mel, fale mais... – Izzie quicou no sofá de curiosidade. Esbocei um sorriso, que logo morreu, quando vi os olhos da Rebecca se revirar. Agora Falcon também fazia parte da platéia, sentado no sofá da frente todo esparramado.

- Ok. – abracei uma almofada e me ajeitei no sofá- Eu moro com os meus pais e o meu irmão.

- Seus pais fazem o que da vida? – Rebecca perguntou com um ar de presunção.

- Meu pai ele é professor universitário em uma universidade pública há anos. É bem provável que seja indicado para vice-reitoria ano que vem. – meus olhos brilhavam de orgulho, correspondidos pelos sorrisos da Izzie, do Brian e até mesmo do Falcon. Comecei a me acostumar a ignorar o casalzinho esnobe – Minha mãe, bem, hoje ela é dona de casa, mas já trabalho como editora em uma revista com nome no Brasil.

- E seu irmão? – Falcon parecia bem interessado, já que moveu o corpo para frente, apoiando os cotovelos no joelho.

- Peter – eu ri – ele tem nove anos. Uma peste, mais eu o amo. – aquela conversa começou a dar um aperto no meu coração.

- Você tem mais parente? – Izzie perguntou.

Nessa hora o meu nextel tocou. Eu reconheci pela musica. Já que eu não fazia idéia de onde minha bolsa estava. Eu levantei, mas foi Brian (como sempre eficiente) que trouxe a minha bolsa.

- Obrigada Brian – ele apenas sorriu – Desculpa, gente.

Comecei a procurar o aparelhinho em meio aos documentos, chaves, maquiagem. Dei graças que o meu toque não era constrangedor como o do Phillip, que tocava 50 cent. “Achei”. Ela minha mãe.

- Não vai atender? – o Brian falou. Essa era a questão, eu deveria atender?

- Deve ser o namoradinho, não quer que ele descubra que esta fazendo uma social, por aqui... – ignorei a vaca falante. Meu celular tinha parado de tocar.

- Cala boca, Rebecca. – todos olharam para o Phillip, que tinha acabado de se levantar e sair da sala. Todos ficaram de boca aberta. Acho que todo ate Rebecca, se perguntava o que tinha dado nele.

Nisso o meu celular voltou a tocar. Rebecca saiu da sala também, depois de me encarar.

Enfim, apertei o botão.

Bip-bip.

- Mel – o mundo parou. Brian me olhou com uma cara interrogativa. Não era para ter saído no auto falante. E quem estava do outro lado era o Yan. Por mais que ninguém ali entendesse português e ele não tivesse dito nada alem do meu nome, era bem claro que se tratava de um menino.

Desesperadamente apertei um botão que saiu do viva voz.

- Oi, Yan. – era tão estranho falar português depois de ter acabado de falar inglês por um longo período, o qual eu não estava acostumada – Tudo bem? – aos poucos fui andando ate o bar, onde sentei de costas para a platéia.

Bip-bip.

Ouvi o trio cochichando. Izzie perguntou alguma coisa sobre se o Brian sabia que era o Yan. De Falcon a palavra namorado se destacou entre as outras. Brian apenas repetia: Eu não sei.

- Mel? – uma voz ao meu ouvido me chamava. Lembrei-me que o Yan estava na linha.

Bip-bip.

- Desculpe Yan, estava distraída. – apoiei o meu cotovelo no mármore e passei a mão livre pelo me cabelo. – Está tudo bem?

Bip-bip.

- Eu já disse Mel, sim. Você está mesmo avoada né? Pensei que fosse entrar na internet para podermos conversar.

Bip-bip.

- Ainda nem configurei a rede Yan. Mas me diz por que você ligou? – não era uma boa hora para conversas.

Bip-bip.

- Está ocupada?

Bip-bip.

- Um pouco.

Bip-bip.

- Com o que?

Bip-bip.

- Por que?

Bip-bip.

- Não posso saber?

Bip-bip.

O murmurinho ao fundo tinha cessado. Provavelmente deviam estar assistindo ao fight do Bip-bip.

- Estou com uns amigos, ok?

Bip-bip.

- Acho que ela disse amigos em português. – Izzie falou baixinho, mas não o suficiente para que eu não ouvisse.

- Nada. Já fez amigos, assim tão rápido?

Bip-bip.

- Qual é Yan? – eu falei que aquela não era uma boa hora para conversas. Meu tom de voz já estava ficando elevado – Acha que eu não tenho a capacidade de fazer novas amizades?

Bip-bip.

- Deixe de ser infantil, Mel! – Yan ainda mantinha o seu tom de voz.

Bip-bip.

- Infantil? Eu? – fechei os olhos e respirei fundo – Olha Yan, eu estou numa noite maravilhosa com os meus novos amigos, é isso mesmo. Novos. Se você não tem capacidade de fazer novos amigos ai, o problema não é meu. Não venha com sermões.

Bip-bip.

Silencio.

- Ela falou alguma coisa sob novos amigos. – Izzie parecia entender um pouco de português, mas muito pouco. Se eu não tivesse tão estressada com o Yan, riria da situação.

Bip-bip.

- Depois eu sou a infantil. – eu falei, já que não obtive resposta.

Bip-bip.

- Já acabou? – ele falou seco.

Bip-bip.

Fiquei quieta.

Bip-bip.

- Não queria atrapalhar a sua noite perfeita, não tive intenção. – agora ele vai dar uma de vitima. Cara, eu adoro o Yan, mas ele às vezes quer ser tão... tão controlador. Somos só primos! Mesmo que fossemos algo a mais... Somos primos, não existe algo a mais. – Depois conversamos.

Bip-bip.

- Ok.

Fechei o flip.

Respirei fundo, antes de encarar a minha pequena platéia confusa.

- O que aconteceu Mel? Quem é ele? – Izzie parecia assustada. Brian parecia ter perdido a língua.

- Meu primo. – dei de ombros.

- Seu primo? – Brian recuperou a língua, mas parecia não acreditar no que eu dizia. – Não parecia.

- É eu sei. Mas é sou o meu primo mesmo. Crescemos juntos, então, ele se sente um pouco responsável por mim. Desculpem-me a cena.

- Ah! Que isso. – Izzie puxou a minha mão me trazendo de volta ao sofá. – Relaxa.

- Primo? – Brian sentou meio atônito ao meu lado.

- É cara! – Falcon se jogou uma almofada no Brian. – Quer que alguém soletre?

A almofada pareceu trazer o Brian de volta.

- Então soletre. – ele encheu boca com um sorriso maldoso.

- Ah... Já tá meio tarde, tomei uns copos de vinho... Sabe como é...

Falcon não conseguiu terminar, porque Brian acertou em cheio uma almofada na cara dele.

Foi um finalzinho de noite espetacular. Depois de o Brian perguntar mais umas quatro vezes sobre o Yan e eu contar detalhadamente todo a minha história, ele entendeu que o Yan era só um primo e ponto.

Rimos de coisas idiotas, sem nexo. Não parecia que eu os conhecia há horas. Sentia-me em meio a amigos. Izzie a “melhor amiga”, fofinha e sempre disposta a ajudar. Falcon, o garanhão do grupo, mas uma pessoa boa no final da contas. Brian, nem preciso dizer, o meu príncipe. Eu estava caidinha por ele e cada segundo a mais que passava com ele mais aos pés dele eu ficava.

Capitulo 16

Acredito não termos levado nem dez minutos para chegar à casa do Brian. Obviamente a mansão dele competia à altura com a dos Button, mas a dele levava um estilo mais contemporâneo na sua fachada.


O jardim estava vazio, apenas algumas luzes compunham o ambiente. Phillip já tinha diminuído a velocidade, provavelmente estava estacionando. Desligou o carro e abriu a porta para mim.

- Obrigada. – tentei ser gentil, mas recebi em troca um olhar revirado.

Naquele instante algumas pessoas chegavam, todas em seus carros esportivos importados de alguma parte da Europa. Nos três carros que chegaram saíram sete pessoas. Todas impecavelmente vestidas. Talvez não tão impecáveis, mas estavam muito bem vestidas. As três meninas de botas e jeans, pelo menos o jeans me consolava, e um casaco ou sobretudo. Os meninos não estavam muito diferentes do Phillip. Acredito que Dolce&Gabanna, Gucci, Prada ou qualquer outra marca não precisam ser modelos extravagantes, pelo contrário quanto mais simples melhor, para esfregar na cara de quem compra em lojas de departamento, do tipo “estou usando uma camiseta branca e você também; eu você c&a e eu d&c”[d&c = dolce & gabanna], tornando assim a insignificante camiseta branca da dolce melhor, mesmo sendo idênticas. Meio que eram isso que aquelas roupas básicas desses riquinhos esfregavam na minha cara, mas tudo bem sou madura o suficiente para não me importar com isso, né?

De repente minha visão ficou escura, alguém havia tampado os meus olhos com as mãos por trás. Com certeza era o Brian, mas não queria tirar o doce da mão da criança, então entrei na brincadeira.

- Quem é? – comecei a tatear as mãos que cobriam os meus olhos. – Deixa eu pensar... Não deve ser muito difícil... Já que a única pessoa nesse país que eu tenho intimidade o suficiente para esse tipo de brincadeira... Brian? – sorri.

Não recebi nenhuma resposta.

- Qual é B.? Deixar de ser bobalhão. Seus convidados estão te esperando. – claro, que só podia ser o estraga prazeres do Phillip.

As mãos do Brian foram retiradas com leveza fazendo um delicado carinho em meu rosto, levando o meu rosto a enrubescer. Fechei os olhos por uns segundos aproveitando o caminho quente que suas mãos fizeram no meu rosto gelado. Abri os olhos e logo me arrependi. Deveria ter ficado de olhos fechados para sempre ou até aquela alma mal encaminhada do Phillip sair da minha vista.

- Pode ir Phill. Já estou indo. – o Brian pegou uma de minhas mãos e começou a tirar as minhas luvas – Prefiro um contado mais direto... – ele deu um sorri de canto de boca.

- Eca! – Phillip apesar de já ter dando alguns passos em direção a casa, provavelmente ouviu as palavras do Brian. – Vocês vão pegar uma pneumonia ficando ai! – ele gritou sem ao menos olhar para trás.

- Minha saúde agradece a sua preocupação! – o Brian respondeu em tom de zombaria. E voltou os seus olhos para mim. – Você está simplesmente maravilhosa. – mais um sorriso. Uma hora eu desmaio.

- Huh, é... Obrigada! – agora ele estava com as minhas duas mãos, sem luvas, entre as suas.

- Estou falando sério. – fez-se um silencio constrangedor, pelo menos para mim, enquanto ele me fitava – É melhor entramos, apesar de idiota, o Phill tem razão. – ele colocou com delicadeza as duas luvas de volta em minhas mãos. Percebeu que eu estava tremendo um pouco – Vamos logo, você já esta tremendo...

- Não. Não é de frio. – ele me olhou não acreditando muito no que eu dizia. – Estou nervosa... Sabe seus amigos, eles tem Audi, Honda e não sei lá qual outra marca de carro. Minhas roupas são de lojas de departamento Brian... – ele colocou seu dedo indicador na minha boca, obrigando me calar.

- Eu não ligo.

- Eu sei Brian. – Ele não havia me entendido, o problema eram os amigos deles. – Mas eles sim... – Apontei com cabeça os carros estacionados na frente da casa. – Não sei se me sentirei bem.

- Não custa tentar Mel. – Ele começou apelar, não de propósito, provavelmente nem tinha noção da carinha de cachorro sem dono que estava fazendo agora. – Por mim?

- Ok . – Tem como falar não?

Fomos de mão dada até a casa. Depois do que eu disse senti certa tensão nele, como se ele realmente estivesse preocupado com o que pudesse acontecer.

Meu coração começou a bater mais rápido quando ele abriu a porta. Quase tive um ataque cardíaco quando vi os amigos dele me encarando.

- Gente, esta é a Mel. – Brian me deu um leve puxão com a mão, me obrigando a dar um passo.

Agora mais perto, podia ver as setes pessoas mais claramente. Brian me apresentou uma a uma. Izzie foi à primeira, ele tinha um sorriso muito amigável, cabelos loiros claros e lisos que escorriam até a altura de sua cintura. Ao seu lado estava Kalie, tinha uma expressão mais fechada, mas forçou o sorriso quando Brian se referiu a ela. Usava roupas escuras e tinha o cabelo preto em corte Chanel. Alex, cabelo tigela castanho também tinha uma expressão um pouco fechada, pela mão ao redor da cintura, e pelo que o Brian disse, ele e Kalie eram namorados. Em seguida Phillip agarrado na Rebecca, namorada dele, ruiva de cabelo repicado e uma franja tinha um sorriso muito bonito. Por último estavam dois gêmeos, irmãos da Rebecca, cabelos curtos cor de ferrugem - não tinha do que duvidar – o Bernard parecia mais simpático que o Sam, mas os dois transmitiam uma imagem positiva.

Izzie, Kalie, Alex, Rebecca, Bernad e Sam. Estava faltando um.

- Ele esta na cozinha. – Rebecca apontou para trás sem desgrudar do Phillip ou o Phillip desgrudar dela. Que casal mais pegajoso.

- Não eu estou aqui!

Não consegui vê-lo no primeiro momento. Só consegui depois de ele atravessar a muralha de amigos. Um jeans surrado, camiseta branca e casaco de couro. Diria que o Jhonny Bravo tinha ganhado vida.

- Falcon, prazer! – ele pegou uma de minhas mãos e deu um beijo. Senti o Brian ficar um pouco enrijecido ao meu lado.

Falcon soltou a minha mão. Pude ver que todos me olhavam, alguns analisando dos pés a cabeça, outros simplesmente curiosos.

Silencio

- Hum... Acho que vou por uma música. – Izzie quebrou o silencio. Como um estalo tudo mundo se mexeu como se cada um tivesse o seu papel e sabiam décor o que fazer. – Alguma preferência Mel?

Olhei para o Brian, que ainda não saíra do meu lado.

- Ela perguntou para você.

Foi o começo de um conversar muito agradável. Izzie parecia uma bonequinha, aquelas Barbies princesas. Ela me perguntou sobre o que eu vinha fazer em aqui, sobre a minha vida no Brasil, também falou sobre a sua vida. Fiquei ainda mais confortável com o Brian do meu lado. Entramos em assuntos sérios como política e rimos de assuntos como clichês brasileiros e americanos.

- É! – um grito me fez sobressaltar, quando olhei para trás Falcon estava fazendo uma espécie de dança da vitória. – E ai quem quer ser o próximo? – ele abriu os braços e encarou a platéia que o ignorava ao mesmo tempo. – Qual é? Nem tudo na vida é vencer gente. – ele jogou o taco na mesa e sentou no sofá bem ao lado da Rebecca e Phillip.

- Caiu fora F! – Phillip deu-lhe um empurrão e puxou a Rebecca para mais perto. Ridículo! Não sabia quem era o mais ridículo ali.

Os gêmeos se aproximaram da onde estávamos.

- E ai Melary, gostando de Branford? – não sei dizer ao certo qual dos gêmeos estava perguntando.

- É... Branford é...

- Meu Deus Bear, ela chegou hoje de manhã. Somos o primeiro contato dessa nova civilização. – Izzie disse, acredito que se referia ao Bernard dos gêmeos. Mas quem tem um apelido de Urso?

- Hey, primeiro contato vírgula. Eu fui o primeiro contato dela daqui de Branford. – Brian disse todo pomposo, não pude deixar de rir. Mas essa pose me fez lembrar o Yan, eu ia adorar que ele estivesse aqui.

- Você não pode ser contado como membro dessa civilização. Você não nem deve ser considerado um ser terrestre, está mais para um ser de Venus. – Sam riu sozinho. Viu que ninguém o acompanhou e ficou meio sem graça, eu até tinha entendido a piada. – Venus? – ele olhou para o pessoal como se estivesse falando a palavra chave para a graça.

- Os homens são de Marte e as mulheres de Venus. – eu falei o que por algum motivo estranho fez o Sam apertar a minha mão.

- Pelo menos alguém entendeu. Obrigada Melary.

- Esperai... – Izzie começou – Homens marte... Venus... – ela murmurou para si mesma, o que eu tinha acabado de dizer. – Wow... – começou a segurar o riso.

- O que? – Brian parecia tão inocente.

- Gay cara. – Bernard colocou uma mão no ombro do Brian como estivesse consolando-o.

- Hãm? – Brian estava tão engraçado com aquela carinha de revoltado.

- Sam – a voz me chamou atenção porque ainda não tinha ouvido antes, era Rebecca, digamos assim que a voz não combinava muito com o seu rosto, era meio ardida. – você pode chamar o B de qualquer coisa menos de gay. – e soltou um sorriso maldoso.

Phillip se ajeitou no sofá obrigando ela ir um pouco para o lado. Ele ficou muito desconfortável com o comentário dela, aliás, todos ficaram. O que levou ao silencio. A música já tinha ate parado de tocar.

- Com licença, O jantar esta servido. – um homem que parecia ser o mordomo, apenas fez o anúncio e saiu.

Todos se levantaram e foram na mesma direção em que o mordomo tinha ido. Todos pareciam ser de casa.

- Hum... Nhame. Estou com fome. – Izzie saiu de trás do balcão do bar.

A Rebecca me passava um ar de arrogância, como se ela fosse onipotente. Desculpa o comentário, mas andava quem nem uma vadia. Ela estava indo sozinha em meio a multidão. Phillip realmente ficará ressentido pelo que ela disse, e pelo que eu entendi, tinha mesmo que ficar.

Do nada a tal de Kalie apareceu e Alex também. Para dizer a verdade, só sentia a falta deles depois que eles voltaram. Kalie olhou para mim com certo desprezo, agarrou no braço da Rebecca e saíram fofocando. Alex deu um aceno com a mão para o Brain e começou a falar com os gêmeos. Com certeza, Izzie era a mais amigável até aquele momento. Em relação aos meninos, Falcon era um exibicionista e os gêmeos pareciam um pouco nerds, mas eram simpáticos.

Todos já tinham saído da sala. Estava sozinha ali livre para pensar. Não queria ir para aquele jantar encarar pessoas egoístas como Falcon, Rebecca e Kalie. Ou mesmo a arrogância do Phillip, mas essa era suportável, eu tinha que suportar.

Sentei no sofá e encarei o teto. Estava preste a sair correndo. Com certeza eu não iria encontrar nenhum táxi pelo caminho, diferentemente do rio de janeiro que teria uns vinte em cada esquina. Talvez tivesse que caminhar um pouco, mas não tinha como errar era uma estrada continua.

- A porta não está trancada. – Brian sentou do meu lado. Olhei de canto e vi que ele também contemplava o teto.

- Mesmo que tivesse, eu tenho os meus meios.

- Está tão ruim assim?

- Não.

- Mas também não está bom?

- Não.

Ele ficou quieto, parecia que não estava mais ali. Quando olhei para ele vi que ainda fitava o teto, perecia que as coisas não tinham saído como ele esperava.

- Brian... – no final das contas eu não sabia o que dizer.

- Rebecca é tão ridícula.

Não esperava esse tipo de comentário, mas ok. Quer dizer eu até esperava que ele achasse isso dela, que todos naquela sala achassem isso dela, mas não pensei que ele ia falar dela.

- Parece que ela não foi com a minha cara. – dei de ombros.

Realmente não me importava e não fazia a menor questão de ser amiguinha dela.

- Falcon é tão... – ele parecia buscar a palavra certa – idiota. – desistiu, acredito que tenha usado a primeira que veio na cabeça.

- Brian, eles não são seus amigos?

- Izzie é a minha melhor amiga. Ela ficou muito empolgada quando falei de você. – olhei para ele e parecia meio constrangido. Pensei: “ele falou de mim para melhor amiga dele, que lindo”. Voltei meu foco para teto. – Phillip, de homem, é o melhor também. – dele parou por um segundo – O resto... É só social. Falcon, os gêmeos, Kalie, Alex e... – ele hesitou em dizer o nome dela, não gostei muito disso, pois estava confirmando o que eu achava.

- Rebecca. – completei – O que aconteceu Brian? – encarei o rosto dele, queria saber a verdade. – O que aconteceu entre você e a Rebecca? – ele finalmente olhou para mim.

- Vocês não vão vir jantar? – Phillip apareceu na porta – Beija logo! – ele disse quando viu que estávamos nos encarando - Estão todos morrendo de fome. – ele viu que Brian não se mexeu. Eu já estava de pé olhando para ele no sofá. – O que você esta fazendo?

- Nada. – ele continuava encarar o meu rosto com certa melancolia. – Nada – olhou para o Phillip.

Levantou e fomos para o jantar.

Capitulo 15

Apesar parecer uma cozinha de televisão, aliais o que naquela casa não parecia ter saído de um programa de TV? Que seja.


Não havia ninguém para o meu alivio, ou não. Era mais confortável descobrir as coisas sozinhas, mas ao mesmo tempo parecia que a qualquer minuto eu ia ser pega de surpresa, como se estivesse fazendo algo errado, mesmo não fazendo. Sei lá, uma sensação estranha.

Minha barriga roncou de novo. Meu primeiro alvo, a geladeira. Com certeza ali deveria ter comida não tinha como errar.

“Vamos ver o que tem aqui...”, me abaixei um pouco para ver as prateleiras inferiores. Potes. E mais potes. Deveriam ser sócios da fábrica de potes. Na porta. “Hum... acho que isso serve”. Peguei o suco de laranja.

- AH! – foi o tempo de fechar a porta e dar de cara com alguém que não estava ali. Phillip não estava ali antes, estava?

- Minhas sinceras desculpas. Pensei que tinha ouvido a porta... – com o braço meio cruzado e cara de deboche apontou para uma porta. Aquela cozinha tinha duas saídas, “Nice”.

Apenas dei um meio sorriso, tentando ignorar o seu deboche. Agora tinha uma nova missão, precisava de um copo. Pia? Impecavelmente limpa sem nenhum copo no escorredor, “Nice, again”.

- Então... B me disse para levá-la a social na casa dele hoje.

Continuei focada na minha missão.

Mas fui interrompida quando o Phillip passou pela minha frente como uma bufada de impaciência. Abriu a porta de um dos armários, pegou e um copo colocou na minha frente. Fiquei como uma idiota contemplando o copo em cima do balcão, com a garrafa de suco de laranja em uma das mãos. Não era exatamente assim que eu queria completar minha missão e a história da exploração...

- Olá? – uma mão passou pelos meus olhos, me fazendo cair da minha nuvem de pensamentos. – Você está bem?

- Sim. – comecei a encher o copo – O que você estava dizendo?

Ele encostou-se no balcão, como estava na hora em que levei o susto, só que dessa vez ele estava do meu lado.

- Como eu estava dizendo – cruzou os braços enquanto me olhava fechar a garrafa – Eu pretendo sair daqui umas seis e meia – ele olhou no relógio.

- Brian me disse... – minha boca de repente secou, minha vista ficou meio turva – Brian disse... – “o que está acontecendo?”.

Apoiei-me no balcão central com a mão vazia para não cair. Phillip num sobressalto agarrou a minha que estava segurando o copo, também me sobressaltei e larguei o que estava em minha mão.

- Sinto muito. – Phillip ainda segurava uma de minhas mãos, levei a outra ao rosto. – Sinto mesm...

- Você esta bem? – quando ele falou pude sentir que ele estava mais perto do que o necessário.

- Sim.

- Eu acho isso não vai ajudar muito – ele tava a centímetros do meu rosto, olhando diretamente nos meus olhos.

- Perguntar se esta tudo bem acredito que também não. – acho que fui desnecessariamente grossa.

Ele se afastou um pouco. Soltou a minha a mão e se certificou se eu conseguia ficar em pé sozinha. Voltou com uma cadeira.

- Sinto muito – eu realmente tinha sido desnecessariamente grossa.

Ele simplesmente deu de ombros. E continuou a andar pela cozinha. Agora estando ali sentada em uma posição de observadora, vi que ele estava meio pronto para festa. Cabelo molhado, sinal de banho. Mas digo meio por causa de suas roupas, duvido muito que ele iria com uma T-shirt branca, por mais que possa ou que tenha uma grande probabilidade de ser de marca, e um jeans surrado. Por último duvido que ele iria de... Espera, aquilo são havaianas?

Depois que parei de reparar em suas roupas, percebi que ele estava fazendo um lanche. Pão de forma, queijo, presunto, alface, tomate. Tudo muito rápido e com precisão, como se ele fosse o mestre cuca do subway. Se por um minuto eu esquecesse todos os deboches que ele tinha feito até agora, e olhando ele assim, tão normal, fazendo um lanche com uma camiseta branca e jeans surrado... Não para tudo! Eu estou babando por esse mauricinho idiota metido a besta? Melary seja realista.

- O melhor que eu posso fazer. – ele deu de ombros e empurrou o lanche para mim.

- Não estou com fome. – dei um leve empurrão. Mas na realidade eu estava louca para comer aquilo, seria capaz de enfiar tudo dentro da boca de uma só vez, seria muito inapropriado, mas estava parecendo uma leoa faminta por dentro.

- Qual é? É anorexa?

- Não!

- Então coma, ora. Olha – ele olhou no relógio – você tem quinze minutos para comer esse lanche e meia hora para se arrumar, se realmente quiser ir à festa do B. Sairei daqui, seis e meia. – ele começou a sair, mas se deteve – Em ponto! – saiu.

Agora só restávamos eu e aquele maravilhoso lanche. Meu estomago roncou mais uma vez. Não precisei nem de cinco minutos, aquele lanche já estava no estado de digestão dentro da minha barriga. Assentou o ronco, mas não matou a fome daquela leoa insaciável.

Tive uma visão geral da cozinha. Agora com um copo quebrado no chão em meio a uma poça laranja. Potes, muitos potes em cima do balcão central. Eu não podia deixar aquilo daquele jeito. Então comecei a limpar.

- Você realmente não quer ir né?

Levei outro susto com aquela criatura desprezível inundada de deboche. Olhei no relógio da cozinha e ainda eram seis horas. Eu estava terminando de lavar o meu prato. Já tinha guardado todos os potes e limpado o chão. Guardando o que ele não foi capaz de se dar ao trabalho.

- São seis horas, ok? – eu falei, mas fiquei paralisada quando olhei para ele.

Ele estava absolutamente lindo e... Debochado. Mas lindo antes de tudo. Uma calça jeans que parecia ser novinha em folha com uma lavagem escura, sapatenis mega estilosos e uma camisa com o símbolo da coca-cola branca e o cabelo provavelmente com gel para ficar espetadinho. Nem vou falar o perfume... Eu ia desmaiar de novo e dessa vez não ia ser de fome.

- Já são seis de dois. – ele falou ríspido e debochado, como sempre.

- Eu me arrumo rápido, ok? – virei a costas e sai pela porta pela qual entrei – Talvez eu desmaie, mas seja de nojo das caras de deboche dele.

- Você disse algo?

- Não.

Pow.

A porta atrás de mim de fechou.





Via-me agora em um novo impasse. Minha mãe sempre disse que para um adolescente até escolher entre preto ou branco era um grande impasse, mas que na realidade nada entendíamos de impasses. Isso quando ela ainda era uma grande executiva, não uma manteiga derretida.

Como já tinha tomado banho era só vestir alguma coisa. Pela roupa do Phillip não devia ser nada muito formal. Aliás, o Brian disse para eu não me preocupar com isso. Vestido? Ali estava tão quentinho, será que lá fora também? Fui ate a janela e não demorou muito para eu conseguir a resposta. O pouco que abri da janela foi o suficiente para entrar um ventinho gélido. Definitivamente, vestido não.

Jeans! Serve para todas as ocasiões. Talvez nem todas, mas a maior parte. Peguei o melhor que eu tinha, uma lavagem mais clara, meio cinza. Uma camiseta de manga e gola branca, peguei um casaco e coloquei um tênis. Quando me olhei no espelho, percebi que não tinha mudado muito de roupa. Troquei um suéter preto rasgado por um camiseta de manga comprida branca, um jeans velho por um cinza e tênis, melhores, mais ainda sim tênis.

Passei um pouco de maquiagem, não queria exagerar, mas também não queria parecer de cara limpa. Por um milagre o meu cabelo estava lindo, com ondas nas pontas. Peguei minha bolsa onde estavam todos os meus documentos, o nextel, o casaco. Mais uma olhada no espelho. Luvas! Pode ser que eu precise.

Abria porta do meu quarto e mais uma vez dou de cara com o Mrs. Deboche. Já estou me acostumando com essas aparições. Será que o clube do bolinha dava treinamento de como ser espião palestrado pelo Jack Chan?

- Vamos? – eu me pronunciei já que ele ficou parado me olhando.

- Vamos. – mesmo assim ele continuou parado me olhando. Será que tem alguma coisa na minha cara.

Indiquei com a mão para que ele tomasse a frente.

- Vamos. – mais uma vez ele falou, só que dessa vez saiu do lugar.

Fui seguindo ele sem realmente presta atenção no caminho. Eu poderia ir de olhos fechados e seguindo apenas pelo olfato. Aquele perfume realmente era maravilhoso.

Chegamos a algo que parecia ser a garagem. Ele acendeu a luz e tropecei. Precisei me apoiar para não cair. O que era aquela garagem, uma concessionária da classe alta? O Audi preto estava ali.Tinham dois carros cobertos. Mas ele me levou até o ultimo, meio futurista. Mas como eu vim de um país em desenvolvimento, o Audi ou o Porsche do Brian já eram bem futuristas. Ele abriu a porta, adivinha? Ela abre para cima. Eu definitivamente cai num seriado americano de beverly hills e não sabia.

Entrei no carro muito constrangida pela imponência.

- A porta. –o Phillip falou só que não tinha coragem de me mexer, como se eu fosse quebrar alguma coisa a qualquer instante. – É só puxar... Vamos Melary. Puxa. – mas uma vez não movi um músculo, estava agarrada a minha bolsa como se a qualquer momento ela também pudesse fazer algum estrago – Ok... – saiu do carro, deu a volta e fechou a porta. – Viu? Ele não é de cristal.

Ele voltou para o seu lugar e ligou o carro. Com certeza ele percebeu o meu espasmo.

- Lamborghini murcielago 2008, preto, estofado de coro bege. Motor 6.5 V12 DOHC com 640 cv. – eu não entendi dada sobre quantos cavalos ele tinha ou deixa de ter, mas eu sabia que aquela coisa era muito cara. - Super desportivos, italiano. – ele acelerou um pouco o carro. – Vamos?

- Já são seis e trinta e cinco. Não chamaria isso de pontual e você não pode por...

- Vou considerar isso um sim.

Quando vi já estava na estrada. Ele realmente, definitivamente, inconcebivelmente era louco. Mesmo assim, mesmo debochado, era muito sexy dirigindo um lamborghini, com um casaco preto colado no corpo ao som de speed of sound do coldplay.

Capitulo 14

Agora estava sozinha naquela nova realidade. Um quarto de princesa. Uma mansão. Uma família adorável.


Respirei fundo e comecei a abrir a mala. Aos poucos fui tirando as roupas e levando ao meu closet. Minha mãe tinha feito questão de comprar algumas roupas de inverno, na realidade, várias. Mas ate aquele momento não me sentia desconfortável com o frio. Estava apenas com um casaquinho e estava bem. Quando finalmente terminei de tirar as roupas da mala, montar o meu mini-escritorio com algumas coisas que eu tinha ali e o banheiro com as bugigangas, vi que deveria ter mandado as caixas com o resto antes, assim já teria tudo e não estaria sentido falta de várias coisas que não pareciam tão essenciais antes.

Tomei um banho. Foi quando sai que percebi o frio. Corri para vestir uma roupa. Jeans, camiseta regata branca e um suéter de gola e manga comprida preto. Ajeitei o cabelo molhado, passei o meu perfume e... Droga! Na manga tinha um buraco razoavelmente grande. Paciência, eu adorava aquele casaco e não ia tirar por nada.

Enquanto pegava uma meia senti o meu estomago roncar, olhei no relógio do criado-mudo e já era meio-dia. Do lado estava o meu nextel. Já tinha adiado muito tempo, precisava ligar para minha mãe.

A fome ou a preguiça, talvez os dois, me impedira de dar a volta ate o outro lado da cama. Obrigando-me a pular por cima dela, estiquei o braço, peguei o aparelhinho roxo. Relaxei o corpo e comecei a fitar o teto. “Melary liga logo”. Levei o aparelho ate a altura dos meus olhos e abri. A luz, apesar de fraca, me fez fechar os olhos.

Meu medo? Admitir que já estivesse morrendo de saudade e queria voltar.

Meus dedos já acostumados com essas tecnologias deslizaram pelo teclado.

Bip-bip.

- Mãe? – conversa por rádio, era realmente irritante.

Bip-bip.

- Filha! Oh, meu Deus! Está tudo bem?

Bip-bip.

- Sim mãe. Desculpa não ter ligado mais cedo é que estava me ajeitando, você sabe né? Colocando as coisas no lugar.

Bip-bip.

- Entendo. Nossa, já estamos morrendo de saudade querida. Ah! Sobre suas coisas, liguei para transportadora e só vão chegar depois do ano novo.

Bip-bip.

Droga! Hoje era dia vinte oito ainda, provavelmente só dia dois ou três. Que droga, eu precisava de algumas roupas, de muitas que estavam naquelas caixas.

Bip-bip.

- Filha, esta ai?

Bip-bip.

- Sim mãe.

Bip-bip.

- O Yan está aqui. Quer falar com você.

Bip-bip.

O Yan. Aquelas palavras, por algum motivo, soaram mais fortes e fiquei perdida.

- Mel? – uma voz grave me chamava do outro lado. Nem ouvi o bip irritante.

Bip-bip.

- Tudo bem Yan?

Bip-bip.

- Claro! – uma alegria forçada na voz – Hum... E aí muitos gatinhos?

Bip-bip.

O que? Acho que não tinha entendido direito. Fiquei paralisada por uns segundos.

- Quer que eu passe seu telefone para algum? – deixei escorrer um sorriso malicioso em minha boca.

Bip-bip.

- Você ainda lembra o número, acredito eu. – ele ficou quieto e ouvi um cochicho ao fundo – Mel, depois a gente conversa mais, vou ver se compro um nextel.

Bip-bip.

- Ok. Beijos Yan. – engoli em seco – Saudades.

Bip-bip.

A resposta demorou uns segundos.

- Também.

Bip-bip.

- Filha, vou desligar. Me liga antes de dormir, por favor. Seja qual hora for ai ou aqui. Beijos. Seu pai e seu irmão também estão mandado. Se cuida filha querida.

Bip-bip.

- Amo vocês.

Bip-bip.

- Nós também.

Bip-bip.



Trilim.

Acordei com o telefone do meu quarto tocando. Devia ter cochilado por quase meia hora. Estava meio perdida. Os olhos ainda embaçados. Peguei o telefone. Por incrível que parecesse, ainda ouvia aquele bip do rádio ao fundo. Aquele aparelho ainda ia me deixar maluca.

- Alô?

- Melary?- não reconheci a voz, apenas sabia que era masculina com sotaque americano. Droga! Eu atendi em português. Mel você está em Branford, EUA.

- Sim?

- Oh! Pensei que o Phill tinha me passado o ramal errado. – quem era aquela pessoa?

- Hãm... – estava morrendo de sono.

- Mel ¬– Brian! – vai ter uma festinha... é mais uma social, quer vir?

Uma social na casa do Brian? Minhas melhores roupas estavam encaixotada dentro de um contêiner em algum lugar do atlântico. Brian tem um Porsche na garagem. Social na casa de alguém que tem um Porsche mais roupas no atlântico igual a me enrolar no edredom, comer brigadeiro, vendo Elizabethtown.

- Mel?

- Brian, não sei...

- O que?

- Não sei... – não conseguia inventar uma desculpa, talvez eu não quisesse inventar – A maior parte das minhas roupas estão para chegar...

- Vou fingir que não estou ouvindo isso. Importa-se de vir com o Phill? É que terei que ficar para receber os convidados, sabe como é né?

- Sei. – eu queria que ele viesse me buscar ou que eu fosse sozinha, não me sentia a vontade com o Phillip. Ele era tão... tão... Ah! Não me sentia a vontade. – Que horas?

¬- Acredito que ele sai daí umas – ele parou como se tivesse olhando no relógio, por instinto olhei também.

PUM...

Foi tudo rápido demais. Só sabia que estava no chão com um rádio relógio na mão desligado e o telefone ao meu lado chiava alguma coisa que parecia ser o meu nome. Tentei lembrar que horas marcavam no aparelho antes de ser arrancado da tomada. O telefone ainda chiava ao meu lado.

Brian!

Coitado deve ter ficado desesperado.

- MEL!

Comecei a rir da voz de desespero dele.

- Mel?

- Desculpe-me. É que cai da cama.

- Ah! Claro. Não sei por que me surpreendo.

- Ou se desespera? – minha voz ainda continuava com um tom de zombaria.

- Boba. Phill deve sair daí uma sete horas. Vou falar com ele, qualquer coisa me liga, tem papel e caneta? ¬– peguei o nextel.

- Fala.

-555-6789, meu celular. O da casa é 555-8967.

- Ok.

- Beijos. Nos vemos mais tarde.

- Tchau. – já que havia começando e português por que não terminar também?

Finalmente achei um relógio. Eram quase cinco horas. Ou seja, não tinha dormido só meia hora. Eu estava parecendo uma velha, dormia a cada cinco minutos. Era só eu encostar em alguma coisa e já estava roncando. Falando em roncar, meu estomago ainda reclamava.



Coloquei o tênis e sai à caça de comida. Acredito que o maior problema não fosse à comida em si, mas onde ela ficava. A Rose me mostrou toda a casa, menos a cozinha. Provavelmente o ramal deveria estar naquele papelzinho, mas já tinha saído do quarto. Afinal, teria maneira melhor de conhecer um caminho que não fosse explorando?

Um fato, a cozinha deveria ser no primeiro andar. Enquanto descia a escada principal vi Joanita.

- Joanita!

- Sim, senhora. – ela fez um gesto de submissão. Será que Rose obrigava os empregados a isso?

- Qual é Joanita? Você não deve ser nem dez anos mais velha que eu. Nada de senhora e nem... – gesticulei para ela tentando procurar alguma palavra para aquela cena – disso.- ela assentiu com a cabeça – Para que lado é a cozinha?

- Quer que eu traga...

¬- A cozinha, onde fica, só. – sorri.

- Por ali.

Segui para onde ela apontou. Era um corredor que ficava paralelo a subida da escada. No final, encontrei uma porta voltada para o lado direito com uma plaquinha “With Love”.

Dei uma leve batida e entrei.

Capitulo 13

Tudo aquilo era tão estranho. Eu sabia que os Buttons possuíam um poder aquisitivo alto, mas não tão alto assim. Sem contar que pelo fato da Senhora Rose ser tão simpática, pelo menos no telefone, pensei que eles fossem ao menos modestos.


Enquanto caminhávamos ate a porta principal, avaliava o Phillip. Poderia estar enganada, porém ele passa a total impressão de que sempre teve tudo com os estalar dos dedos e que pessoas inferiores a eles devem ser ignoradas e só servem para serviços braçais. E o máximo que deve ter sofrido na vida provavelmente seria por causa de um não para alguma coisa desnecessária.

A escada da entrada principal não era muito grande, deveriam ter uns nove degraus, mas dava uma altura suficiente para eu poder dar uma olhada por cima daquele império. Realmente, era maravilhoso. O jardim impecavelmente cuidado. Olhando atentamente podia se ver algumas cabecinhas por trás de alguns arbustos, provavelmente jardineiros.

- Vamos Melary. – Phillip estava muito impaciente e de propósito demorei mais um pouco na minha analise do território.

Virei e o vi esperando com a porta aberta. Aos poucos fui me aproximando. Toda aquela imponência, nada medo. Tudo parecia muito claro talvez por causa das janelas. Os moveis possuíam contrastes perfeitos entre o velho, o novo e alguns objetos futuristas.

Phillip percebeu o impacto que a casinha dele fez em mim, por isso esperou ate que eu absorvesse tudo, ou pelo menos parte desse tudo. Mas começou a andar para direita, no meio havia uma enorme escadaria que levava a dois lados da casa no andar superior. Enquanto o seguia, olhei para teto e vi que era de vidro, daí vinha tanta claridade.

Ele abriu a porta que corria para os lados e surgiu um novo ambiente. Sofás, mesas, plantas, tapetes e quadros muitos quadros. Lá se encontrava uma senhora que não aparentava nem um pouco a idade, um menino que deveria tem uns dez anos e um grupo de pessoas um pouco ao fundo de uniforme, provavelmente empregados. Parecia um daqueles típicos seriados americanos.

- Seja bem-vinda, minha querida. – ela abriu os braços, mas não era para um abraço e sim para indicar a onde eu era bem-vinda, digamos assim.

- Obrigada. – assenti com a cabeça.

Quando fui procurar o Phillip, ele já estava posicionado ao lado de sua avó. Por mais que ele não fosse à melhor pessoa a recorrer um apoio naquele momento, era o único, porém unicamente inútil.

- Hum... Então você já conheceu o Phillip certo?- aquilo não foi uma pergunta, apenas um fato. – Este ¬– ela apontou para a criança a sua direita – é o Samuel, irmão mais novos do Phill. ¬– o cumprimentei com a cabeça e ela prosseguiu. – Aqueles – apontou para o grupo uniformizado que servia de plano de fundo nesse cenário perfeito, da família norte-americana. – são os empregados. Da direita para esquerda: Joanita é a camareira, o que precisar de roupa de cama, banho ou qualquer coisa que queira no quarto é só contatá-la; Pietra é a cozinheira, ela andou lendo alguns livros de receitas brasileiras e fique tranqüila no quesito comida; Domingos é o motorista e faz serviços gerais. As outras são auxiliares. Fique a vontade em fazer qualquer pedido a qualquer um, todos estão aqui para servi-la.

Estava mega constrangida. “Servi-la”. Aquilo ecoou por certo tem na minha cabeça. Mas logo recuperei o foco. E vi que a Senhora Rose tinha-os dispensados.

- Senti-se minha querida. – se eu não soubesse que aquele “minha querida” era mania dela, com certeza diria que ela estava sendo debochada. Então sentei.

Ela começou a perguntar sobre a viagem. Comentou da estranha coincidência em encontrar o filho dos Volver (demorei um pouco em associar o Brian aos Volvers). Até que estava me sentindo confortável, a senhora Rose me transpassava esse sentimento. Os meninos não pronunciavam muito, apenas quando sua avó os questionava sobre algo.

- No réveillon iremos a uma grande festa. – comentou a senhora Rose.

- Espero que se divirtam. ¬– esbocei um sorriso.

- Claro que NÓS – ela deu um leve acentuada na palavra nós e fez um movimento circular com o dedo me colocando nesse circulo imaginário. – iremos nos divertir. Você acha mesmo que não estaria convidada?

- Me desculpa Senh... – seu olhar de reprovação me obrigou a recomeçar a frase – Me desculpa Rose, apenas não quero que vocês se sintam obrigados a me levar aos seus compromissos... ¬- ela levantou a mão para que eu parasse.

- Não comece, minha querida. Você agora esta morando nessa casa e vai ter acesso a todas as coisas que os meus netos têm. Você esta fazendo um intercambio, então precisa viver intensamente essa sua nova família.

- Você não sabe como eu fico grata.

Do nada começou a tocar 50 cent. Phillip ficou meio sem jeito e começou a tirar, ou melhor, a tentar tirar o celular do bolso da frente. Seria muito mais fácil se ele levantasse. A senhora Rose, o Samuel e eu só ficamos olhando. Naquele momento a pose de poderoso chefão vai, ele mais parecia um nerd atrapalhado. E a trilha sonora estava linda: “I'm into having sex, I ain't into making love So come give me a hug if you into getting rubbed”. Depois de passar por esse belo refrão, finalmente ele conseguiu pegar o aparelho, olhou para o visor.

- Hum... Preciso atender. – como em um gesto automático ele abriu o flip do celular e foi se afastando.

- Deve ser a namorada dele. – falou a senhora Rose como se fosse um segredo que ele não soubesse que ela soubesse.

Ficamos ali olhando para o Phillip que tinha se afastado na mesma posição de fofoca por uns segundos. Quando voltei a minha postura para a poltrona, vi o Samuel, coitadinho, deveria estar muito entediado. Eu sei como são essas conversas de visitas. Eu sei como o Peter se entediava. Nossa, que saudade.

- Então querida, quer conhecer o seu quarto?

Quase sai gritando de alegria, poder ficar um minuto sozinha. Por os menos pensamentos no lugar. Ainda por cima, ajudar o Samuel a se livrar desse castigo.



Fui seguindo senhora Rose pela casa. Com certeza eu precisaria de um mapa. Tentei memorizar pelo menos ao fica a porta de saída em caso de incêndio. Saímos pela mesma porta que entramos, mas havia outras que deviam levar para outra parte da casa do fundo da sala, que seja, saímos pelo mesmo lugar que entramos. E pelo que o Domingos (foi ele quem pegou minhas malas, por sinal) disse que a avó do Phillip esta esperando no salão principal, então... Um mais um... Esse era o salão principal, dãã.

Subimos aquela escada maravilhosa. Acredito que o piso seja de mármore, só sei que era de pedra e era branco, agora o que não dá é para eu virar uma gemologa em menos de um minuto.

- Melary! – pelo tão da voz e pelo fato da senhora Rose não ter usado querida, era muito provável que eu estivesse voando nos meus pensamentos. Quando ela viu que recobrou a minha atenção prosseguiu. – Hum...Como eu estava falando. A escada da direita leva a ala leste, em cima da sala onde estávamos. Para aquele lado, fica o segundo andar da biblioteca, o escritório, não é por nada com você, mas não vá lá sozinha ou quando não for chamada, é que o meu filho realmente não gosta que as pessoas no geral, mesmo os meus netos, entre lá. – assenti com a cabeça, dando espaço para ela prosseguir. – Tem o quarto do meu filho, o meu e um quarto de hóspedes. – ela respirou fundo e virou para a esquerda e começou a andar, eu e Samuel fomos atrás. – Aqui fica a ala oeste, onde ficam os quartos dos meninos, uma sala onde eles trazem os amigos de vez em quando, outro quarto de hospedes e o seu.

Deixa eu encaixar, ou tentar, encaixar algumas coisas. Ela tinha uma biblioteca de dois andares. Quarto do filho, o dela, dos netos, claro. Uma sala para os netinhos “brincarem”. Dois quartos de hospedes e o meu quarto. Esse meu quarto que soou estranho, ela poderia ter dito, e “em um dos quartos de hospedes é o que você vai ficar”.

Fui seguindo-a. A primeira porta do lado esquerdo estava fechada, a janela provavelmente dava para frente da casa. A próxima porta era do lado direito, dava para fundo, a porta estava meio aberta, dei uma leve olhada, não queria ser fuxiqueira.

- È o meu quarto. – falou o Samuel pela primeira vez espontaneamente, com um sorriso muito simpático por sinal.

A caminhada continuou. Na realidade nunca parou, foi apenas um comentário isolado.

No lado direito mais um porta. Só que esta estava aberta e dava muito bem para identificar o que era. O quarto do clube do Bolinha. Aparelhos de ultima geração, uma mesa de pôquer, alguns pôsteres de jogadores em várias modalidades. Um ambiente super descolado. O Yan ia adorar, que saudade.

- Aquele é o seu quarto. ¬– a senhora Rose apontou para a próxima porta a esquerda. ¬- O ultimo é o do Phillip. ¬¬– ela apontou para ultima porta do lado direito. Ela começou a abrir a porta do meu quarto. ¬– Espero que goste. Maria e a Joanita me ajudaram a escolher com muito carinho a decoração. E ele sempre estará aqui, sempre que precisar.

Para tudo! Eu conheço essa família há poucas horas e ela já fez um quarto para mim, que pelo que entendi é para o resto da vida. Ela ta querendo me seqüestrar? Já vi muitos casos da internet de jovens adolescentes e seus intercâmbios maus sucedidos. Não... Qual é Melary? Ela tia da sua professora de inglês e só está querendo que se sinta em casa.

Como no Extreme Makeover a porta foi abrindo bem de vagar, só faltou eu começar a falar “Oh!My God. Oh! My God!...”. Mas realmente isso merecia um “Oh! My God”. O quarto estava lindo. Uma cama king size coberta por uma colcha linda com estampas florais bem delicadas no tom de azul bebe, amarelo e verde. Na frente da cama, eu tinha como se fosse uma sala de estar particular. Duas poltronas brancas, uma de cada lado de um sofá de dois lugares azul bebe. Sem contar a televisão quarenta e duas polegadas na parede, onde eu poderia ver de qualquer ângulo do quarto. Olhei para o lado direito do quarto, eu tinha uma escrivaninha enorme. Em cima algumas prateleiras, que em breve estariam lotadas. Quando olhei para as prateleiras, pude reparar melhor no papel de parede, lindo! Meus olhos continuaram a seguir pelo quarto. Criados mudos dos dois lados da cama, luminárias combinado com o quarto, tudo perfeito. Sem contar as duas janelas que deveriam ter uns dois metros de altura cada, davam uma amplitude ainda maior para o quarto que por si só era enorme. E nas duas, tinham aquele lugarzinho estofado onde dava para sentar. A vista então? Os fundos da casa eram ainda mais perfeitos. Nossa, fiquei paralisada.

- Senh... Não! Rose... É... Ai, Meu Deus...

Todos começamos a rir. Respirei fundo e finalmente achei forças para falar.

- Obrigada, muito obrigada mesmo. – ela me olhava como uma mãe olhava para uma filha. Fiquei emocionada, ela também. Não consegui segurar e dei um super abraço nela. E foi ai que ela se pôs a chorar.

Não sei o porquê, mas ela gostava de mim de um jeito muito estranho. Uma vez ouvi a história de um garoto do curso que dizia ter uma step-family no Reino Unido. Acredito que esse era o sentimento que a senhora Rose estava querendo passar, que eu era uma step-granddaughter para ela.

Ela secou as lágrimas e sorriu.

- Não quer conhecer o banheiro?

- Por que não? – e comecei a sair do quarto.

- Onde você esta indo?

¬- Eu, é... hum. ¬– “ao banheiro?”. Ela continuou me olhando. – Não sei.

¬- Aqui todos os quartos são suítes. Vem.

Como não pensei nisso? Ela abriu uma porta que ficava entre a cama e a parede onde ficava o meu mini-escritorio. Dei de cara com um closet, como tudo ali, enorme. Com certeza eu não tinha roupa o suficiente para preencher nem metade daquele espaço todo.

Mais um porta, só que dessa vez ela corri para o lado. Finalmente o banheiro. E que banheiro. Outra janela enorme que dava para os fundos da casa, uma banheira no estilo antigo perto da janela. Um Box com chuveiro. Uma pia enorme com espaço para todas as minhas bugigangas e um espelho enormemente proporcional. As toalhas estavam arrumas como em um hotel.

Voltamos para o meu quarto e reparei que as minhas malas já estavam ali. E bateu uma baita preguiça em pensar que teria que arrumar tudo, sem contar um monte de roupa que deve ter amassado.

- Minha querida, fique a vontade. Eu e o Samuel vamos lhe deixar em paz. Qualquer coisa é só chamar. Deixei um papelzinho com os ramais de cada lugar, assim não precisa sair gritando a procura de alguém. Qualquer coisa é só chamar. – ela começou a se retirar, mas lembrou de alguma coisa e voltou – Ah! Suas coisas devem estar chegando ainda essa semana, mas se precisar de alguma coisa, roupa, por exemplo, que estejam nas caixas, é só falar. Esta bem?

- Obrigada Rose, não sei como posso realmente agradecer tudo isso.

- Você estando bem e se sentindo em casa é a melhor recompensa.

Outro momento de abraço. E saíram.

Capitulo 13

Tudo aquilo era tão estranho. Eu sabia que os Buttons possuíam um poder aquisitivo alto, mas não tão alto assim. Sem contar que pelo fato da Senhora Rose ser tão simpática, pelo menos no telefone, pensei que eles fossem ao menos modestos.


Enquanto caminhávamos ate a porta principal, avaliava o Phillip. Poderia estar enganada, porém ele passa a total impressão de que sempre teve tudo com os estalar dos dedos e que pessoas inferiores a eles devem ser ignoradas e só servem para serviços braçais. E o máximo que deve ter sofrido na vida provavelmente seria por causa de um não para alguma coisa desnecessária.

A escada da entrada principal não era muito grande, deveriam ter uns nove degraus, mas dava uma altura suficiente para eu poder dar uma olhada por cima daquele império. Realmente, era maravilhoso. O jardim impecavelmente cuidado. Olhando atentamente podia se ver algumas cabecinhas por trás de alguns arbustos, provavelmente jardineiros.

- Vamos Melary. – Phillip estava muito impaciente e de propósito demorei mais um pouco na minha analise do território.

Virei e o vi esperando com a porta aberta. Aos poucos fui me aproximando. Toda aquela imponência, nada medo. Tudo parecia muito claro talvez por causa das janelas. Os moveis possuíam contrastes perfeitos entre o velho, o novo e alguns objetos futuristas.

Phillip percebeu o impacto que a casinha dele fez em mim, por isso esperou ate que eu absorvesse tudo, ou pelo menos parte desse tudo. Mas começou a andar para direita, no meio havia uma enorme escadaria que levava a dois lados da casa no andar superior. Enquanto o seguia, olhei para teto e vi que era de vidro, daí vinha tanta claridade.

Ele abriu a porta que corria para os lados e surgiu um novo ambiente. Sofás, mesas, plantas, tapetes e quadros muitos quadros. Lá se encontrava uma senhora que não aparentava nem um pouco a idade, um menino que deveria tem uns dez anos e um grupo de pessoas um pouco ao fundo de uniforme, provavelmente empregados. Parecia um daqueles típicos seriados americanos.

- Seja bem-vinda, minha querida. – ela abriu os braços, mas não era para um abraço e sim para indicar a onde eu era bem-vinda, digamos assim.

- Obrigada. – assenti com a cabeça.

Quando fui procurar o Phillip, ele já estava posicionado ao lado de sua avó. Por mais que ele não fosse à melhor pessoa a recorrer um apoio naquele momento, era o único, porém unicamente inútil.

- Hum... Então você já conheceu o Phillip certo?- aquilo não foi uma pergunta, apenas um fato. – Este ¬– ela apontou para a criança a sua direita – é o Samuel, irmão mais novos do Phill. ¬– o cumprimentei com a cabeça e ela prosseguiu. – Aqueles – apontou para o grupo uniformizado que servia de plano de fundo nesse cenário perfeito, da família norte-americana. – são os empregados. Da direita para esquerda: Joanita é a camareira, o que precisar de roupa de cama, banho ou qualquer coisa que queira no quarto é só contatá-la; Pietra é a cozinheira, ela andou lendo alguns livros de receitas brasileiras e fique tranqüila no quesito comida; Domingos é o motorista e faz serviços gerais. As outras são auxiliares. Fique a vontade em fazer qualquer pedido a qualquer um, todos estão aqui para servi-la.

Estava mega constrangida. “Servi-la”. Aquilo ecoou por certo tem na minha cabeça. Mas logo recuperei o foco. E vi que a Senhora Rose tinha-os dispensados.

- Senti-se minha querida. – se eu não soubesse que aquele “minha querida” era mania dela, com certeza diria que ela estava sendo debochada. Então sentei.

Ela começou a perguntar sobre a viagem. Comentou da estranha coincidência em encontrar o filho dos Volver (demorei um pouco em associar o Brian aos Volvers). Até que estava me sentindo confortável, a senhora Rose me transpassava esse sentimento. Os meninos não pronunciavam muito, apenas quando sua avó os questionava sobre algo.

- No réveillon iremos a uma grande festa. – comentou a senhora Rose.

- Espero que se divirtam. ¬– esbocei um sorriso.

- Claro que NÓS – ela deu um leve acentuada na palavra nós e fez um movimento circular com o dedo me colocando nesse circulo imaginário. – iremos nos divertir. Você acha mesmo que não estaria convidada?

- Me desculpa Senh... – seu olhar de reprovação me obrigou a recomeçar a frase – Me desculpa Rose, apenas não quero que vocês se sintam obrigados a me levar aos seus compromissos... ¬- ela levantou a mão para que eu parasse.

- Não comece, minha querida. Você agora esta morando nessa casa e vai ter acesso a todas as coisas que os meus netos têm. Você esta fazendo um intercambio, então precisa viver intensamente essa sua nova família.

- Você não sabe como eu fico grata.

Do nada começou a tocar 50 cent. Phillip ficou meio sem jeito e começou a tirar, ou melhor, a tentar tirar o celular do bolso da frente. Seria muito mais fácil se ele levantasse. A senhora Rose, o Samuel e eu só ficamos olhando. Naquele momento a pose de poderoso chefão vai, ele mais parecia um nerd atrapalhado. E a trilha sonora estava linda: “I'm into having sex, I ain't into making love So come give me a hug if you into getting rubbed”. Depois de passar por esse belo refrão, finalmente ele conseguiu pegar o aparelho, olhou para o visor.

- Hum... Preciso atender. – como em um gesto automático ele abriu o flip do celular e foi se afastando.

- Deve ser a namorada dele. – falou a senhora Rose como se fosse um segredo que ele não soubesse que ela soubesse.

Ficamos ali olhando para o Phillip que tinha se afastado na mesma posição de fofoca por uns segundos. Quando voltei a minha postura para a poltrona, vi o Samuel, coitadinho, deveria estar muito entediado. Eu sei como são essas conversas de visitas. Eu sei como o Peter se entediava. Nossa, que saudade.

- Então querida, quer conhecer o seu quarto?

Quase sai gritando de alegria, poder ficar um minuto sozinha. Por os menos pensamentos no lugar. Ainda por cima, ajudar o Samuel a se livrar desse castigo.



Fui seguindo senhora Rose pela casa. Com certeza eu precisaria de um mapa. Tentei memorizar pelo menos ao fica a porta de saída em caso de incêndio. Saímos pela mesma porta que entramos, mas havia outras que deviam levar para outra parte da casa do fundo da sala, que seja, saímos pelo mesmo lugar que entramos. E pelo que o Domingos (foi ele quem pegou minhas malas, por sinal) disse que a avó do Phillip esta esperando no salão principal, então... Um mais um... Esse era o salão principal, dãã.

Subimos aquela escada maravilhosa. Acredito que o piso seja de mármore, só sei que era de pedra e era branco, agora o que não dá é para eu virar uma gemologa em menos de um minuto.

- Melary! – pelo tão da voz e pelo fato da senhora Rose não ter usado querida, era muito provável que eu estivesse voando nos meus pensamentos. Quando ela viu que recobrou a minha atenção prosseguiu. – Hum...Como eu estava falando. A escada da direita leva a ala leste, em cima da sala onde estávamos. Para aquele lado, fica o segundo andar da biblioteca, o escritório, não é por nada com você, mas não vá lá sozinha ou quando não for chamada, é que o meu filho realmente não gosta que as pessoas no geral, mesmo os meus netos, entre lá. – assenti com a cabeça, dando espaço para ela prosseguir. – Tem o quarto do meu filho, o meu e um quarto de hóspedes. – ela respirou fundo e virou para a esquerda e começou a andar, eu e Samuel fomos atrás. – Aqui fica a ala oeste, onde ficam os quartos dos meninos, uma sala onde eles trazem os amigos de vez em quando, outro quarto de hospedes e o seu.

Deixa eu encaixar, ou tentar, encaixar algumas coisas. Ela tinha uma biblioteca de dois andares. Quarto do filho, o dela, dos netos, claro. Uma sala para os netinhos “brincarem”. Dois quartos de hospedes e o meu quarto. Esse meu quarto que soou estranho, ela poderia ter dito, e “em um dos quartos de hospedes é o que você vai ficar”.

Fui seguindo-a. A primeira porta do lado esquerdo estava fechada, a janela provavelmente dava para frente da casa. A próxima porta era do lado direito, dava para fundo, a porta estava meio aberta, dei uma leve olhada, não queria ser fuxiqueira.

- È o meu quarto. – falou o Samuel pela primeira vez espontaneamente, com um sorriso muito simpático por sinal.

A caminhada continuou. Na realidade nunca parou, foi apenas um comentário isolado.

No lado direito mais um porta. Só que esta estava aberta e dava muito bem para identificar o que era. O quarto do clube do Bolinha. Aparelhos de ultima geração, uma mesa de pôquer, alguns pôsteres de jogadores em várias modalidades. Um ambiente super descolado. O Yan ia adorar, que saudade.

- Aquele é o seu quarto. ¬– a senhora Rose apontou para a próxima porta a esquerda. ¬- O ultimo é o do Phillip. ¬¬– ela apontou para ultima porta do lado direito. Ela começou a abrir a porta do meu quarto. ¬– Espero que goste. Maria e a Joanita me ajudaram a escolher com muito carinho a decoração. E ele sempre estará aqui, sempre que precisar.

Para tudo! Eu conheço essa família há poucas horas e ela já fez um quarto para mim, que pelo que entendi é para o resto da vida. Ela ta querendo me seqüestrar? Já vi muitos casos da internet de jovens adolescentes e seus intercâmbios maus sucedidos. Não... Qual é Melary? Ela tia da sua professora de inglês e só está querendo que se sinta em casa.

Como no Extreme Makeover a porta foi abrindo bem de vagar, só faltou eu começar a falar “Oh!My God. Oh! My God!...”. Mas realmente isso merecia um “Oh! My God”. O quarto estava lindo. Uma cama king size coberta por uma colcha linda com estampas florais bem delicadas no tom de azul bebe, amarelo e verde. Na frente da cama, eu tinha como se fosse uma sala de estar particular. Duas poltronas brancas, uma de cada lado de um sofá de dois lugares azul bebe. Sem contar a televisão quarenta e duas polegadas na parede, onde eu poderia ver de qualquer ângulo do quarto. Olhei para o lado direito do quarto, eu tinha uma escrivaninha enorme. Em cima algumas prateleiras, que em breve estariam lotadas. Quando olhei para as prateleiras, pude reparar melhor no papel de parede, lindo! Meus olhos continuaram a seguir pelo quarto. Criados mudos dos dois lados da cama, luminárias combinado com o quarto, tudo perfeito. Sem contar as duas janelas que deveriam ter uns dois metros de altura cada, davam uma amplitude ainda maior para o quarto que por si só era enorme. E nas duas, tinham aquele lugarzinho estofado onde dava para sentar. A vista então? Os fundos da casa eram ainda mais perfeitos. Nossa, fiquei paralisada.

- Senh... Não! Rose... É... Ai, Meu Deus...

Todos começamos a rir. Respirei fundo e finalmente achei forças para falar.

- Obrigada, muito obrigada mesmo. – ela me olhava como uma mãe olhava para uma filha. Fiquei emocionada, ela também. Não consegui segurar e dei um super abraço nela. E foi ai que ela se pôs a chorar.

Não sei o porquê, mas ela gostava de mim de um jeito muito estranho. Uma vez ouvi a história de um garoto do curso que dizia ter uma step-family no Reino Unido. Acredito que esse era o sentimento que a senhora Rose estava querendo passar, que eu era uma step-granddaughter para ela.

Ela secou as lágrimas e sorriu.

- Não quer conhecer o banheiro?

- Por que não? – e comecei a sair do quarto.

- Onde você esta indo?

¬- Eu, é... hum. ¬– “ao banheiro?”. Ela continuou me olhando. – Não sei.

¬- Aqui todos os quartos são suítes. Vem.

Como não pensei nisso? Ela abriu uma porta que ficava entre a cama e a parede onde ficava o meu mini-escritorio. Dei de cara com um closet, como tudo ali, enorme. Com certeza eu não tinha roupa o suficiente para preencher nem metade daquele espaço todo.

Mais um porta, só que dessa vez ela corri para o lado. Finalmente o banheiro. E que banheiro. Outra janela enorme que dava para os fundos da casa, uma banheira no estilo antigo perto da janela. Um Box com chuveiro. Uma pia enorme com espaço para todas as minhas bugigangas e um espelho enormemente proporcional. As toalhas estavam arrumas como em um hotel.

Voltamos para o meu quarto e reparei que as minhas malas já estavam ali. E bateu uma baita preguiça em pensar que teria que arrumar tudo, sem contar um monte de roupa que deve ter amassado.

- Minha querida, fique a vontade. Eu e o Samuel vamos lhe deixar em paz. Qualquer coisa é só chamar. Deixei um papelzinho com os ramais de cada lugar, assim não precisa sair gritando a procura de alguém. Qualquer coisa é só chamar. – ela começou a se retirar, mas lembrou de alguma coisa e voltou – Ah! Suas coisas devem estar chegando ainda essa semana, mas se precisar de alguma coisa, roupa, por exemplo, que estejam nas caixas, é só falar. Esta bem?

- Obrigada Rose, não sei como posso realmente agradecer tudo isso.

- Você estando bem e se sentindo em casa é a melhor recompensa.

Outro momento de abraço. E saíram.

Capitulo 12

Nossa conversa mudou totalmente de rumo. Começamos a falar dos passageiros, o quanto eram tão estranhamente normais. Aqueles típicos americanos de filme, camisa xadrez e jeans surrado. Para o Brian eram normais, já para mim era estranho ver ao vivo o que via pela TV, realmente estranho.


A aeromoça anunciou a chegada em Branford, olhei pela janelinha e os fatos se confirmaram. Vi na minha cabeça as fotos da internet diante dos meus olhos. As casinhas e quanto mato.

Respirei fundo. Havia chegado.

- Pior do que imaginava? – o Brian perguntou.

Não sabia exatamente o que responder. Talvez sim, ou não. Não seria exatamente uma coisa ruim e sim uma coisa diferentemente igual ao que eu imaginava. É complicado explicar. Então optei em ser objetiva, mas não sincera.

- Não. – dei de ombros. Pensando bem, realmente não era pior.

O avião pousou.

Claro que o Brian, como um cavaleiro me ajudou com a bagagem. Fez questão por sinal, em levar a minha bagagem de mão.

O aeroporto, se é que aquilo podia ser chamado assim, era bem simples. Muito simples. Era praticamente uma casa que funcionava como terminal, ou algo do tipo, e uma pista que parecia pequena, mas era ideal para o nosso avião.

Olhei para perto do “terminal” e tinham várias pessoas ali, até carros. Como se a pista fosse totalmente aberta, do tipo “Entre e fique a vontade, se tiver vindo um avião abaixe a cabeça, não queremos transtornos”.

- Melary Taylor? – uma voz me tirou dos meus pensamentos, uma voz estranha.

Do meu lado estava um rapaz muito bem apessoado. Usava uma camisa pólo coladinha da Lacost, uma calça de Brin caqui e um tênis da Nike. Claro, quase me esqueci dos óculos escuros da Calvin&Clain. Cabelos pretos arrepiados com gel.

- Qual é Phill? – o Brian deixou as malas de lado e foi cumprimentar o protótipo de namorado da Barbie.

Eles começaram a conversa sobre algo que não entendi muito bem, já estava meio cansada apesar de ter dormido metade da viagem. A conversa entre eles cessou e a atenção voltou para mim.

- Melary, então? – o Phillip estendeu a mão para me cumprimentar.

- Prazer – ele apertou a minha mão com tanta segurança de si que ate me deixou meio constrangida.

- Vamos? – perguntou o Phillip – Quer carona, B.? – demorei um pouco para associar o B. ao Brian. Culpa do cansaço.

- Valeu Phill. – deram aquele típico cumprimento de menino – Mas deixei o meu carro no estacionamento.

- Você deixou seu carro um mês aqui, cara?

- Qual o problema?- Brian começou a pegar as suas malas e se ajeitar.

- Se eu soubesse, ele não estaria mais aqui. Adoraria ter um Porsche na minha listinha particular. – ouvi um barulhinho de alarme de carro e vi o Porsche azul marinho estacionado.

Meu Deus, o Brian tinha um Porsche. Fiquei com o queixo caído. Onde eu tinha ido parar.

- Vamos Melary. – como uma agilidade descomunal o Phillip, pegou as minhas malas e saiu andando.

Eu o segui, mas queria me despedir do Brian, que por sinal ainda estava terminando de guardar as malas no carro. Ele não ia se despedir de mim? Só por causa do Phillip?

Quando viro, o Phillip estava guardando as minhas malas em um porta-malas de um Audi preto. É... Isso realmente esta me assuntando. Que civilização é essa?

- Melary!

- Desculpa. - eu estava parecendo um cachorrinho obedecendo a uma ordem. Raiva...

Quando entrei no carro ele já estava com o motor ligado. Na hora que pisou no acelerador uma mancha azul cruzou a frente dele o obrigando a parar bruscamente e eu a levar um baita susto. Olhei para o lado e lá estava o Brian e o seu sorrisinho.

- Pensou que eu não ia me despedir?

- Pensei que ia me matar. – falei brava.

- Deixa disso Mel. E ai Phill – eles trocaram um olhar de “vamos aprontar” – Ate a sua casa...

- Poxa B. você sabe que carro não é meu...

- Desde quando isso te impediu?- o Brian pisou no acelerador e o Phillip absorveu aquele som com um prazer, que mais parecia um viciado em álcool quando sente o cheiro de uma bebida. – Quer mudar de carro Mel?

- Hãm?

Só ouvi o som dos pneus cantando no asfalto. Pela janela eu só via vultos marrons e vez por outra algo azul. Olhar para frente não era a solução para os frios na barriga, pelo contrario, cada curva parecia o final da pista.

Fitei o Phillip. Ele estava em um êxtase descomunal, aquele sorriso de prazer em sua boca, olhos por trás dos óculos escuros seguiam da pista para o retrovisor. Virei-me e vi o Porsche azul atrás da gente.

Eu estava incrédula com toda aquela situação. Estava quase fazendo parte do estofado de tão grudada que eu estava no banco. Como trilha sonora tinha Green Day e o velocímetro parecia acompanhar o ritmo. Eu ia morrer e a ultima musica que eu iria ouvir seria Know your enemy. Feche os olhos Mel vai ser melhor, pelo menos você não vai ver o abismo ou a montanha onde vocês iram colidir.

- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH! – o carro virou. – Oh! Meu Deus, Meu Deus...

- Calma. Já chegamos. – voltei os meus olhos estalados de susto para o Phillip e estava com uma das mãos segurando o braço dele. Olhei para o braço, olhei para ele e soltei.

- Desculpe. – baixei a cabeça e me recolhi a minha insignificância.

Ele riu e saiu do carro todo pomposo.

- Idiota.

- O que? – ele enfiou a cabeça de volta no carro.

- Nada. – abri a porta do meu lado e fui saindo.



Quando coloquei meus pés no chão nem acreditei. Não acreditei mais ainda onde eu estava. Digamos assim, que a casa (se é que aquilo pode ser simplesmente chamado de casa) parecia um protótipo da Casa Branca. Ouvi um buzina ao longe, provavelmente era o Brian se despedindo, mas aquela mansão me tomava toda a atenção.

- Legal né?

Levei um susto quando vi que o Phillip estava ao meu lado, contemplando a casa dele comigo.

- Hum... É. – preferi ser monossilábica.

Um indivíduo todo de preto vinha em nossa direção em passos curso e rápidos. Parecia mais um robozinho. Apesar dele de estar cada vez mais próximo seu tamanho continuava “inho”.

- Bom dia Sr. Button. Senhorita Taylor. – cumprimentou-nos em um aceno com a cabeça. E começou a pegar as malas.

- Deixa que eu... – eu tentei ajudar, mas Phillip me impediu.

- Sua avó os espera no salão principal, Senhor. – falou o empregado – Com licença. – e saiu com as minhas malas.

Eu o Phillip continuamos ali parados. Ele passa um ar de ostentação, como se fosse um imperador e aquele fosse o seu império. Pela maneira como ele tratou o seu “subordinado”, ele deve ser um daqueles riquinhos metidos ao cubo. Ele respirou fundo e voltei minha atenção para o jardim.

- Vamos.

Realmente ele parecia um imperador. Não, mais do que isso ele parecia o ditador.